Mário Laginha "Espaço"
Hoje comprei finalmente o novo disco do Mário Laginha: "Espaço".
O mote da construção deste disco é um assunto bastante actual e que pretende relacionar a "Arquitectura e Música", tema em destaque nesta Trienal de Arquitectura. A semana passada li a entrevista do Laginha (de quem já sou fã há muito tempo) no suplemento "Linha" do Expresso e ainda aguçou mais a curiosidade que já tinha sobre este trabalho. Na realidade, acho que queria ter algum feedback antes mesmo de o ouvir. (Podem ouvir a 2ªfaixa "Tanto Espaço" na barra ao lado)
Como estudante que fui, de arquitectura e de música, a relação que poderá ser estabelecida entre estas duas formas de comunicação com um "público" sempre foi muito interessante . São de facto duas formas de comunicar com o mundo que num caso é mais a curto prazo que noutro mas ainda assim, dois grandes vínculos de comunicação e reveladores de uma cultura muito própria. A música, transporta-nos para um universo mais imediato, assente num momento, no instante em que a ouvimos. A arquitectura, perece num determinado lugar e toma forma e sentido ao longo do tempo e com ele vai-se transformando. De todas as formas, estas duas artes são construídas para o Homem, provocam sensações várias e " criam ambientes", citando o Prof. Orlando Azevedo.
A arquitectura e a música , no seu processo de composição, estão sujeitas quer a uma ideia conceptual quer a uma série de ferramentas e elementos compositivos que coordenados entre si tomam uma estrutura que revela um pensamento actual e as intenções pessoais do seu autor. Esses elementos são muitas vezes, na sua essência, identicos, tal como constatou o Mário Laginha na referida entrevista: "(....) muitos dos termos utilizados pelos arquitectos são os mesmos da música. (...) Os arquitectos falam muito em silêncio e em ruído, em linhas contínuas e descontínuas, em planos, em espaço, na opressão do espaço, as cadências, as estruturas reguares." Eu ainda acrescentaria: Harmonia- Volumetria, métrica- ritmo, silêncio-vazio, Dissonância- Assimetria. Além disto e para além disto, a ideia conceptual que qualquer projecto assume tem sobretudo que ter em consideração o local onde vai nascer. Qualquer disco, qualquer música também tem na sua génese, uma intenção, uma ideia .
Para além desta comparação um tanto subjectiva e conceptual, também existe, quanto a mim, uma inerente composição formal arquitectónica tendo em conta os métodos compositivos e os instrumentos de trabalho que foi dispondo ao longo dos tempos. Assim a música também o foi. As influências culturais e até o próprio desenvolvimento dos instrumentos musicais e das formas de orquestração foram determinantes para a evolução da música até aos dias de hoje.
Quero com isto dizer, que qualquer tipo de forma de expressão artística é um reflexo de uma mentalidade, de uma cultura, de um tempo, que tomam forma concreta e física num disco como este ou num edíficio de arquitectura actual.
Quando visitamos a "Casa de Mateus" em Vila Real não sentimos o mesmo do que quando entramos no museu de Serralves. O mesmo acontece quando ouvimos uma fuga de Bach ou um disco do Laginha. Mas isso é uma experiência que gostaria de exemplificar num post muito,muito brevemente. Até já....





Muitas vezes conseguem reinventar e melhorar conceitos de outros que não atingiram a perfeição.
A música de Thelonious Monk foi reestruturada pelo grande pianista austríaco Hans Groiner, que tratou de aperfeiçoar a música do compositor. Oiçam vocês mesmos:
www.myspace.com/hansgroinerplaysmonk (Comentar)
Muitas vezes conseguem reinventar e melhorar conceitos de outros que não atingiram a perfeição.
A música de Thelonious Monk foi reestruturada pelo grande pianista austríaco Hans Groiner, que tratou de aperfeiçoar a música do compositor. Oiçam vocês mesmos:
www.myspace.com/hansgroinerplaysmonk (Comentar)
só podia......ahahahhahahahahhaha
Bem, no fundo isto é um caso sério. Bastante sério. (Comentar)
Mas o que aconteceria se em vez de (Comentar)
Mas o que aconteceria se em vez de "harmonia", aplicassemos "dissonância", "assimetria" (cito o post), e escaparrassemos o Quim Barreiros no CCB, o Frank Zappa na rua da Judiaria ou o Jorge Palma sozinho, no Pavilhão Atlântico.
Tenho visto coisas muito interessantes, especialmente na parte velha da cidade, que me fazem pensar que os espaços com um carácter específico tornam a esperiência mais rica, quer pela harmonia, quer pelo contraste. Espaços com bastantes condicionantes, com falta de estacionamento, com palcos subnutridos e plateias do tipo salve-se-quem-puder. Porém, se lançarmos a um sítio um grande armazém da música destinado a qualquer evento, adaptavel a qualquer situação, para qualquer público, o mais provável é que o casamento entre a música e a arquitectura não passe de um one-night-stand cinzentão.
Ora toma! (Comentar)